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AMANECE EN CIUDAD DESPOJO: UNA COLECCIÓN DE CÓMICS DEMENTES DE MARIO RIVIÈRE: 82 (ARTEFACTOS)
O incrível primeiro livro de banda desenhada de Mario Rivière, um dos grandes ilustradores deste país, é uma brutalidade malsã, brilhante e deliciosa.
Bem-vindos a Ciudad Despojo! Um buraco dantesco e perigoso onde a normalidade não existe. Pelas suas ruas circulam estranhos cultos religiosos, psicopatas carismáticos, deuses antropófagos, heróis à beira do colapso mental, mutações surpreendentes e destemidas detetives lisérgicas numa sucessão de situações em que a realidade se contorce de forma venenosa e absurda. Preparem-se para uma viagem frenética a um mundo distópico, disparatado e aterrador que bem poderia ser o nosso daqui a uns anos.
Amanhece em Ciudad Despojo, o incrível primeiro livro de banda desenhada de Mario Rivière, um dos grandes ilustradores deste país, é uma coleção febril, desordenada e esmagadora de histórias curtas, fragmentos de irrealidade, esboços de pesadelo, instantes publicitários irritantes e estranhas tiras «cómicas», uma estreia destinada a tornar-se um clássico de culto e uma impressionante demonstração do brilhantismo e do bendito salvajismo de um artista estratosférico.
Rivière, libertando a sua paixão pelo estranho, agita uma perigosa coqueteleira onde se misturam sem moderação a banda desenhada underground e independente, os clássicos do terror dos anos 50 da EC e os momentos mais delirantes dos comics da era dourada, o humor negro em abundância, o pulp, o cinema de terror, a série B, Z – e o que quer que venha a seguir –, o punk, o noir, o cinema de ação sujo, as seitas aterradoras e a conspiranoia, o manga mais louco, o true crime, as artes marciais e tudo aquilo com capacidade para destruir massa cerebral. Por isso, cuidado! Se tem algum apreço pela sua atividade neuronal, deposite este artefacto onde o encontrou e fuja! Mas se (rejeitando a nossa recomendação) decidir continuar, permita-nos dar-lhe as boas-vindas a Ciudad Despojo: desejamos-lhe uma estadia à altura que merece.
Mario Rivière (Madrid, 1975) é um dos grandes ilustradores deste país. Provavelmente tem um livro ou um disco com uma capa sua. Pode até ter um disco seu onde dá largas à sua história de ouro no punk rock nacional (Aerobitch, Muletrain, ROBO…). O que é certo é que Rivière, com a sua arte, presta tributo ao pulp, à ficção científica, ao absurdo, à cultura subterrânea e à bendita loucura!