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Devenir Perra
Nestas coordenadas move-se a autora de Devenir perra: sin patria ni Dios; com punhos, lantejoulas e bastante má baba.
A Itziar Ziga gosta de boas de penas, por vezes disfarça-se de camionista, e noutras autodenomina-se perra. Este livro, escrito em primeira pessoa pela voz desbocada e agreste de uma guerrilheira incansável, dá testemunho desse instante de iluminação em que o ativismo se veste de luta divertida e descomplexada, batalha campal de ideias, gritos estridentes e anormais, reivindicação brutal do que fica à margem de uma sociedade que castra e condena. A liberdade e o entusiasmo de Ziga são ferozmente contagiosos, assim como terríveis e esclarecedores. Quando já não importa ser homem ou mulher, quando esta distinção se torna risível, o fluxo de pensamento vagueia livremente e dinamita qualquer discurso hegemónico e bem-pensante.